
04 nov COMPLIANCE: MODISMO OU NECESSIDADE?
O termo Compliance deriva do verbo em Inglês “to Comply”, que revela a qualidade de alguém ou algo que em conformidade, ou está de acordo com direcionamentos, normas, procedimentos, especificações ou legislação vigente.
Dentro das organizações, uma boa governança e a proteção da reputação da organização estão diretamente relacionados à permanência da empresa no mercado, que se apresenta cada vez mais competitivo.
O fator de sucesso de uma empresa passa, sem dúvida, pelo seu ponto estratégico frente aos demais concorrentes do mercado e está ligado às oportunidades que os empresários encontram para se consolidar como uma empresa sólida no mercado.
Estarem atentos às tendências legislativas e aos novos anseios da sociedade é parte dos pontos que merecem atenção quando se fala em vantagem competitiva em gestão.
Os termos Fator Competitivo ou Vantagem Competitiva foram definidos por Michael Porter, renomado autor e teórico americano sobre estratégia. Sua teoria dizia que as organizações (e nações) deveriam buscar o desenvolvimento de produtos de alta qualidade para serem vendidos por preços mais altos que os dos concorrentes, o que aconteceria quando uma organização desenvolvesse um atributo ou combinação destes que a permitiria se sobressair frente à concorrência.
A criação de Porter, três décadas depois, se apoia neste conceito no que tange aos fatores ou atributos que diferenciam empresas e organizações em plena segunda década do século XXI, tem foco diferenciado, com espeque nas novas tendências.
Contudo, acompanhamos hoje o nascimento de um novo fator de competitividade organizacional, proveniente de uma questão muito mais antiga e basal do que a Vantagem Competitiva definida por Porter. Este novo fator de competitividade, ou o que virá a diferenciar e selecionar as organizações, até num sentido Darwiniano de continuidade de existência, está diretamente ligado aos valores da organização e como estes valores geram e retroalimentam uma cultura ética na organização.
Tomando os valores da organização como os pilares que sustentam e norteiam as tomadas de decisão desde a alta cúpula até a base da organização, inevitavelmente falamos aqui de sinônimos de ética, honestidade, honradez, integridade, além de outras palavras relacionadas ao sucesso da organização, mas que não são divergentes das primeiras.
Estes valores estão a serviço de uma demanda crescente da sociedade, de órgãos reguladores, dos acionistas, de consumidores, de órgãos reguladores e dos próprios trabalhadores (os chamados Stakeholders) que cada vez mais, supervisionam, escolhem onde querem atuar e o vão consumir, balizados por um senso crescente de que seu trabalho e aplicação de recursos deve ser consoante com seus valores pessoais, ou que o trabalho não agrida seus princípios.
Fala-se no alvorecer de uma nova era da gestão empresarial, onde uma gestão orientada em valores éticos está para se transformar em uma fortaleza a ser premiada por uma sociedade que irá optar, cada vez mais, por organizações que atuem de maneira ética com seus clientes e funcionários, com a comunidade do entorno, com o meio ambiente, que respeite as leis. Assim como organizações que caminham no sentido contrário serão punidas por esta nova sociedade consciente e informada que seagiganta.
O Departamento de Justiça e a Security Exchange Commission, órgãos Americanos seguem crescentemente condenando empresas ao redor do mundo com multas e acordos, por vezes bilionários, em relação aos casos de corrupção envolvendo agentes públicos, com base na lei americana anticorrupção no exterior (FCPA).
A eticidade das condutas das organizações, cada vez mais, fazem com que acionistas e investidores, optem por investir, em organizações éticas, em face da segurança que representam ao seu capital, vez que estão menos sujeitas a escândalos que envolvam corrupção, desastres ambientais e outras intempéries que podem atingir o capital investido.
Não se trata de modismo, portanto, posto que verifica-se tendência legislativa a exigir novas práticas que só poderão ser solvidas por meio do Compliance. O Compliance Ambiental segue esta tendência de sociedade de valores frente à antiga sociedade do valor (embasada no lucro a qualquer custo).
Neste contexto, embasado no valor de manutenção da vida humana no planeta, o Compliance Ambiental, apresenta-se como forte fator de competitividade e diferenciação em um novo mercado marcado por escolhas de consumo e investimentos amparado em valores éticos e, de outro lado, multas astronômicas por não observância de leis ambientais que certamente determinarão a permanência ou não de organizações no mercado.
Referência: https://administradores.com.br/artigos/compliance-como-fator-competitivo
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